Coordenador do Comitê Científico diz que é ‘precoce’ pensar em Carnaval em SP

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Governo do Estado afirmou ter ‘cautela’ para decidir sobre a realização do evento; dezenas de municípios paulistas já cancelaram a realização das festas em 2022

Bruno Rocha/Estadão ConteúdoCarnaval de São Paulo reúne turistas do Brasil inteiro em blocos de rua e nos desfiles de escolas de samba

O coordenador do Comitê Científico de São Paulo, Paulo Menezes, afirmou que, apesar da flexibilização no uso de máscaras que foi anunciada nesta quarta-feira, 24, ainda é cedo para pensar na realização de um evento na magnitude do Carnaval no Estado em fevereiro de 2022. “Nós, hoje, entendemos que ainda é precoce pensar em uma situação de multidões na rua com aglomeração, mesmo que seja daqui há 3 meses. Temos boas perspectivas. O avanço da cobertura vacinal no Estado é exemplo para o mundo, e mais ainda, o que também nós temos de exemplo é conjugar o avanço da cobertura vacinal com a manutenção de outras medidas que têm garantido o sucesso no enfrentamento à pandemia”, apontou Menezes.

Tanto o coordenador do Comitê Científico quanto o governador João Doria ressaltaram que a decisão sobre as festas será tomada com “cautela”. Mas ainda que o Estado não tenha se manifestado oficialmente sobre o evento, uma dezena de municípios no interior e no litoral paulista já anunciaram o cancelamento das festas em 2022 em decorrência da pandemia. Entre os municípios que não irão realizar o Carnaval em 2022 estão Sorocaba, Mogi das Cruzes, Taubaté, Botucatu e Jundiaí. Apesar do alto índice de vacinados e da queda no número de infectados, a maioria teme o aumento do número de casos por conta das aglomerações. Outras prefeituras alegam falta de recursos para realizar o evento. É o caso de Taubaté e Sorocaba, que anunciaram que não vão liberar verba pública para o Carnaval, mas autorizaram que escolas de samba organizem as festas com recursos próprios ou privados.

Na capital paulista, o Carnaval está mantido e a administração municipal está recebendo inscrições para os tradicionais blocos de rua. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) já afirmou que a festa não deve ter restrições sanitárias. Durante a coletiva de imprensa desta quarta-feira, o governador lembrou que, enquanto o Estado não se manifesta com medidas mais rígidas, a decisão de realizar ou não o Carnaval pertence a cada Prefeitura. “Vamos agir com prudência e com cautela. A decisão pertence a cada prefeitura, elas têm autonomia para essa decisão. Hoje foi anunciado, inclusive, que 64 municípios decidiram não promover festividades de Carnaval. Nós, como governo do Estado, temos sempre a medida da cautela, da prudência, para que prefeitos e prefeitas possam agir dentro de um campo seguro e adequado”, explicou Doria, que acrescentou: “Prefeituras podem ser mais rigorosas do que o governo do Estado, não podem ser menos rigorosas.”

O coordenador Paulo Menezes aproveitou a oportunidade para reforçar que a pandemia ainda não acabou e que o foco de atenção deve ser no momento atual. “Não podemos nos enganar que estamos livres da pandemia. Ele está circulando, por isso estamos mantendo as medidas com cautela e progressivamente. Hoje eu entendo que não é o momento de pensar nas grandes aglomerações do Carnaval”, disse o coordenador, que, embora tenha feito os apontamentos, deixou uma mensagem de esperança para a população. “Estamos confiantes que talvez possamos ter uma situação bastante favorável ao final de fevereiro, mas nesse momento precisamos continuar com segurança”, finalizou.





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