Alta dos juros terá impacto no crédito imobiliário, afirma especialista em Direito Imobiliário

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    Com a taxa básica de juros em 7,75% ao ano e em tendência de alta, bancos públicos aumentaram as tarifas cobradas para financiamento imobiliário desde setembro

    Taxa Selic, que determina vários índices, inclusive os vinculados ao setor imobiliário | Foto: divulgação

    A aceleração do ciclo de alta da Selic deve detonar uma nova rodada de aumento das taxas de juros dos financiamentos imobiliários em breve, segundo representantes do mercado. O advogado Diego Amaral, especialista em Direito Imobiliário ressalta quais os impactos no mercado para quem está em busca da casa própria. Segundo ele, a tendência é que haja uma desaceleração no ritmo dos negócios daqui para frente.

    O aumento das taxas de juros dos financiamentos imobiliários em bancos públicos e privados desacelera, ainda que timidamente, o ritmo dos negócios daqui para frente, de acordo com Amaral. As linhas de crédito, os famosos financiamentos, são parte importante na conquista do imóvel dos sonhos para a maioria dos brasileiros. Seja em bancos públicos ou em privados, a busca cresce a cada ano, reflexo de uma mudança de comportamento da população, no Brasil. Mas nas últimas semanas, as taxas de juros de crédito imobiliário subiram, preocupando especialistas.

    Amaral explica que essa alta é atribuída ao aumento da taxa Selic, que determina vários índices, inclusive os vinculados ao setor imobiliário. Com a taxa básica de juros em 7,75% ao ano e em tendência de alta, bancos públicos aumentaram as tarifas cobradas para financiamento imobiliário desde setembro, e os privados sinalizam que reajustes nas tarifas podem ocorrer ao longo dos próximos meses.

    “A expectativa é que o custo do crédito para a compra de imóveis volte a ficar mais caro a partir de 2022, já que as taxas devem voltar ao patamar de dois dígitos”, adianta Diego. De acordo com ele, essa mudança trará consequências ao mercado.

    Os bancos

    O advogado avisa que a Caixa Econômica Federal (CEF), que lidera o segmento, já aumentou as taxas do crédito tradicional (pré-fixado). Sobre o reajuste, a Caixa informou que “a definição das taxas de juros se baseia na análise da associação de fatores mercadológicos e conjunturais dentro das regras prudenciais de definição das condições do crédito”. O Banco do Brasil também afirmou ter repassado um aumento. “Não há previsão para novos reajustes, que só se justificam na hipótese das variáveis que compõem os preços se alterarem”, disse o banco.

    Neste semestre, bancos privados como Bradesco, Itaú e Santander também já elevaram as taxas duas vezes. “Um novo aumento vai tirar uma parte das pessoas do mercado. A prestação pode não caber mais no bolso. Mas, ainda assim, será uma taxa palatável”, ponderou o advogado imobiliário. Diego acredita que mesmo que a Selic chegue aos dois dígitos, o crédito para o setor não suba no mesmo ritmo. Isso porque essa modalidade de financiamento tem muito apelo entre os bancos por fidelizar os clientes por vários anos, estimulando a competição.

    Diego alerta os clientes que para conseguir juros mais baixos, o tomador do crédito precisa quase sempre aceitar uma série de condições. “O nível e o tempo de relacionamento com o banco, valor do imóvel, bem como o perfil e renda do consumidor são fatores que também costumam influenciar diretamente as taxas de juros de um financiamento”, lembra. Assim, ele enfatiza a importância do tomador do crédito pesquisar entre os bancos e analisar qual deles oferece a menor e melhor taxa para o seu perfil.

    Com a expectativa de novos aumentos da Selic e das taxas de longo prazo, o crédito imobiliário deve ficar mais caro em 2022, causando uma desaceleração do mercado. No entanto, Diego avalia que o setor está longe de entrar numa crise. “Olhando para 2022, estamos muito otimistas. Talvez não se mantenham os níveis de crescimento que tivemos em 2021, mas serão ainda muito positivos”, disse. Já considerando as taxas maiores, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança prevê um crescimento de 57% no volume de empréstimos no próximo ano, chegando ao recorde de R$ 195 bilhões.





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